segunda-feira, 28 de abril de 2014

Ciclo de Palestras sobre dinossáurios na Escola Dr. Afonso Rodrigues Pereira (Lourinhã), 29 de Abril

Ilustração de Ivan Gromicho

A Lourinhã é um dos concelhos mais ricos em fósseis de dinossáurios e conhecido por algumas das espécies estabelecidas em Portugal, como é  caso de Lusotitan atalaiensis ou Dinheirosaurus lourinhanensis.


No próximo dia 29 de Abril, a Escola Básica Dr. Afonso Rodrigues Pereira (Lourinhã) organizará um conjunto de palestras sobre o registo de dinossáurios de Portugal e do Níger (Africa) das 10:00 às 16:05 na sala 25. Este evento de palestras científicas surge no âmbito da comemoração do "Dia Mundial do Planeta Terra". Estas palestras contarão com vários investigadores portugueses especialistas na matéria e pertencentes á Sociedade de História Natural de Torres Vedras, ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Lisboa) e à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Aqui deixamos uma lista das conferências a realizar, com um pequeno cv dos investigadores em causa:

Vanda Faria do Santos (MNHNC) na Pedreira do Avelino (Sesimbra), Foto: Luís Rodrigues

  • "Icnologia - uma ciência interpretativa aplicada à Paleontologia" por Vanda Faria dos Santos, investigadora do Museu Nacional de História Natural e da Ciência e especializada em pegadas de dinossáurios, em particular no registo do Jurássico português. Foi uma das responsáveis pelos estudos levados a cabo nos trilhos preservados na Pedreira do Galinha, em pleno Maciço Calcário Estremenho.

Elisabete Malafaia (FCUL/SHN) no Estados Unidos da América

  • "Dinossáurios do Jurássico Superior português - um importante registo" por Elisabete Malafaia e Bruno Camilo Silva. Elisabete Malafaia é investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras e é especializada em dinossáurios terópodes, com especial enfoque no registo de allosauróides do Jurássico Superior Português. Bruno Silva é o presente director do Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, entidade que tem realizado diversos trabalhos no registo fóssil de vertebrados do Mesozóico Português.

Bruno Silva explicando a geologia da região Oeste.

  • "Objectivo Níger - um projecto científico/humanitário" por Pedro Dantas, paleontólogo português da Sociedade de História Natural de Torres Vedras e especialista em dinossáurios, é responsável pelo estabelecimento de alguns táxones em Portugal, como é o caso do dinossáurio saurópode Lourinhasaurus. Apesar de ter participado em diversas escavações em Portugal (e.g. Lourinhã, Pombal, Torres Vedras), Espanha e Estados Unidos da América (Utah), nesta palestra este investigador irá falar um pouco da sua experiência nas campanhas paleontológicas levadas a cabo no Níger (Africa) na qual participaram investigadores portugueses, e na qual foi descoberto o saurópode Spinophorosaurus

Pedro Dantas (SHN) na excavação de Dinheirosaurus (Porto Dinheiro, Lourinhã)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Ilustrações Paleontológicas do início do séc. XX no XII EJIP



Ainda referente às comunicações do XII EJIP, apresentamos uma pequena grande curiosidade, inserida no tema “Geologia & Sociedade”. Josep Francesc Bisbal i Chinesta, a quem desde já deixamos um enorme agradecimento pela disponibilização das ilustrações, apresentou uma divertida comunicação intitulada “La difusión social de la Paleontología en la prensa catalana anterior a la dictadura franquista”. 

Josep e colaboradores realizaram um importante trabalho de pesquisa na imprensa catalã a partir de 1890, seleccionando um total de 186 artigos relacionados com a Paleontologia, provenientes de importantes jornais da época, como La Abeja, Catalunya Social, Clarisme, Diari Català, El Mirador, Esplai, Gent Nova, La Cataluña, La Ibérica, Iberia, La Ilustración, La Publicidad/ La Publicitat, Picarol, La Renaixensa, L’Esquella de la Torratxa, Lo Pensament Català, La Veu de Catalunya e em particular de La Vanguardia, que se tornou no jormal mais influente da Catalunha nos primeiros anos do século XX.

A sua pesquisa revela que a primeira publicação catalã de temática indiscutivelmente paleontológica data de 1865, na publicação La Abeja, que se baseava na tradução de artigos alemães. No entanto só a partir da década de 1880 se populariza a temática paleontológica, sendo as primeiras questões discutidas sobre a origem do homem. É também a partir de esta época que começam a ser publicados os resumos das sessões científicas da Real Academia de Ciencias y Artes de Barcelona. Não ficando indiferentes ao que se passava “lá fora”, as expedições internacionais começam a ganhar protagonismo em 1923. Com o filme “O Mundo Perdido”, em 1927, os sectores publicitários arriscam e começam a surgir ilustrações paleontológicas, dominadas pela temática dos dinossáurios. Com o início da Guerra Civil espanhola cessa a temática paleontológica na imprensa catalã.

No decorrer da sua pesquisa, Josep e colaboradores descobriram estas preciosas ilustrações do início do século XX, que cativaram sem dúvida muitos compradores da famosa marca de chocolate Suchard. Philipe Suchard, fundador da marca de chocolates nasceu em 1797 em Boudry, Suiça, e desde cedo compreendeu as potencialidades da industria do chocolate. A fim de realizar o seu sonho, seis anos mais tarde viaja para Berna e torna-se aprendiz do seu irmão. Em 1824 viaja para os Estados Unidos da América, regressando à sua terra natal no fim desse anoe abre um pequeno negócio, que se expande em 1826 com a abertura de uma fábrica de chocolate em Serrières. Convertendo a energia do rio mais próximo para accionar moinhos, possuia apenas um ajudante. O seu moinho de moagem era constituído por uma placa de granito aquecida e vários rolos de granito em movimento para a frente e para trás; este modelo ainda é usado para moer pasta de cacau.

Mas o chocolate não era barato, e desde cedo que Suchard teve dificuldades financeiras. O seu sucesso chegou em 1842, através de Frederico Guilherme IV , rei da Prússia; isto provocou um boom e logo os seus chocolates ganharam prémios na Grande Exposição de Londres de 1851 e na Exposição Universal de Paris em 1855. Suchard abriu a sua primeira fábrica no exterior, em 1880, em Lörrach, Alemanha. A cor roxa incomum da embalagem de chocolate foi selecionado pelo próprio, pois acreditava que seria única entre embalagens de chocolate. Até finais do século XIX, Suchard tornou-se o maior produtor de chocolate. Dezessete anos depois de sua morte, em Neuchâtel, a sua empresa produziria o famoso chocolate Milka.

Perante duas marcas de chocolate tão deliciosas, a Geologia tem sempre um papel importante!! E quem não desejava ter estas ilustrações de novo nas embalagens de chocolate?!









terça-feira, 15 de abril de 2014

XII EJIP – 9 a 12 de Abril de 2014 – Boltaña (Huesca, Espanha) – Parte 2, 2º dia

O segundo dia começou com uma plateia menos imponente, que se foi compondo ao longo da manhã, conforme os participantes mais vulneráveis à melatonina iam chegando.

Samuel Zamora - Decifrando la evolución de los equinodermos usando taxones cámbricos

 Samuel Zamora iniciou o dia com mais uma das três conferências magistrais desta 12º edição do EJIP. Dedicada aos equinodermes câmbricos e à sua importância na compreensão dos fenómenos evolutivos que marcaram este Período, foi preenchida por imagens e reconstruções muito atractivas que foram chamando a atenção dos participantes que eram, maioritariamente, vertebradistas. Seguiram-se as sessões científicas da primeira parte da manhã, iniciadas por Ruben Garcia Artigas com biostratigrafia integrada utilizando amonites e foraminíferos planctónicos (não pudemos deixar de reparar no género Leupoldina !!). Seguiu-lhe Elena Berdún a lembrar ambientes recifais e Rafael Marquina Blasco com a sua tartaruga pliocénica e, a anteceder o reabastecimento de cafeína da manhã, Daniel Romero-Nieto e Borja Holgado divertiram a plateia. O primeiro com a influência dos filmes nos conhecimentos de paleontologia do público em geral (e que hilariantes as respostas de algumas crianças) e o segundo com a influência da ficção sobretudo cinematográfica na taxonomia paleontológica. A maior gargalhada da manhã chegou com a trilobite do Género Han, Espécie solo. Han solo Turvey, 2005 foi justificada pela sua proveniência (Han é o maior grupo étnico atualmente existente na China) e por ser a trilobite diplagnostídeo mais jovem (solo porque coitada…foi o último sobrevivente da família, justificou o autor). Turvey acabou por, posteriormente, admitir a ligação ao Star Wars. Os diferentes pontos de vista relativos a este tipo de brincadeiras científicas foram discutidos no final do comunicação e seguiram todos para um café e para a fotografia de grupo, frente à Comarca de Sobrarbe.

Daniel Romero-Nieto - Paleontología y Enseñanza Obligatória. Fuentes y grado de conocimiento


Borja Holgado - La influencia del relato de ficción en los taxones descritos por paleontólogos


Alguns slides da divertida apresentação de Borja Holgado

A manhã continuou com frutos e sementes de palmeira fósseis, por Rafael Moreno Domínguez, um grupo pouco usual mas que permite conclusões paleoecológicas interessantes, e seguiram-se grupos mais familiares com a atualidade. Primeiro as aves de Carmen Núñez-Lahuerta numa apresentação cuidadosamente explicada, Carla M. Bazán com comunidades de micromamíferos, Mercedes Conde Valverde com uma curiosa comunicação sobre a audição dos primatas e a terminar a anteceder o almoço duas comunicações sobre dentes, a primeiro por Ignacio A. Lazagabaster que estudando o desgaste de porcos actuais mostrou o potencial da aplicação da metodologia à paleontologia do grupo e a segunda por Eloy Manzanero que arriscou um padrão de mortalidade para os elefantes de Somosaguas.
Ainda antes de almoço alguns participantes efetuaram uma visita guiada por Boltaña, conduzida por María José Torres Olivera, nascida em Boltaña, claramente entusiasmada por divulgar a sua terra. Embora o tempo tenha estado muito agradável de manhã, uma radical mudança trouxe a chuva a meio da visita, impedindo terminá-
-la. Realçamos os pormenores de cor nas ruas e casas de pedra e a imponente igreja que se esconde numa povoação tão pequena.

As cores de Boltaña


Participantes do XII EJIP na visita guiada por Boltaña


As ruas de Boltaña

Após o almoço, Alejandro H. Marín-Leyva trouxe-nos o trabalho geograficamente mais longínquo, debruçado sobre a dieta de cavalos pleistocénicos do México. Mantivemo-nos no Pleistoceno mas voltámos aos Pirinéus com um afloramento de ursos por Raquel Rabal-Garcés. Mudámos de grupo para cabras e cavalos da mesma idade por Víctor Sauqué, voltámos aos ursos com Daniel Hontecillas, descemos na cadeia alimentar até às hienas miocénicas e o estudo dos seus crânios por Víctor Vinuesa e terminámos com Josep Francesc Bisbal i Chinesta, historiador que se dedicou à curiosa difusão da paleontologia na imprensa catalã anterior à ditadura franquista (e que deixou vontade de alargar o estudo a mais regiões de Espanha e de outros países pelas curiosidades que se vão descobrindo).
Após a última pausa para café (com a possibilidade não só de comer novamente os “Fósiles de Boltaña” como de comprar as saborosas bolachinhas), Bernat Vila deu a terceira e última Conferencia magistral sobre as pegadas dos últimos dinossáurios europeus.
A organização deste 12º EJIP juntou-se por fim na frente na sala de conferências para fechar o encontro científico, dando voz aos organizadores do próximo encontro que será em Cercedilha (perto de Madrid) em 2015. Pelas 22h foi o jantar de convívio onde as conversas paralelas só eram interrompidas pela chegada dos primeiros pratos, cuja boa aparência não deixava ninguém indiferente.
Infelizmente não pudemos ficar para a saída de campo do congresso, que ocorreu no sábado de manhã.

Do nosso lado, como participantes e sem simpatias forçadas, resta-nos dar os parabéns à organização porque sem exageros ou eufemismos estiveram impecáveis em tudo. Elogiamos os restantes participantes porque o nível do congresso superou sem dúvida as nossas expectativas, numa actualidade onde cada vez mais os congressos científicos são vistos como um “chegar, fazer currículo, partir”. Neste 12º EJIP viajámos uns largos anos no tempo e postura dos intervenientes e o debate, discussão e troca de ideias foram uma constante que nos fez terminar os dois dias com a certeza de que congressos com nomes sonantes não são necessariamente os melhores. Enhorabuena!

O comité organizador do XII EJIP da Universidade de Saragoça (da esquerda para a direita): Roi Silva Casal,  Ester Díaz Berenguer,  Alba Legarda Lisarri , Jorge Colmenar Lallena, Jara Parrilla Bel e Eduardo Puértolas Pascual (falta Gabriela Arreguín).

XII EJIP – 9 a 12 de Abril de 2014 – Boltaña (Huesca, Espanha) – Parte 1, 1º dia

Boltaña fica longe. Não só em termos de quilómetros mas sobretudo em termos de graus. 50 km numa estrada que faltou às aulas de física e desconhece o movimento rectilíneo separam a bonita povoação de Boltaña da decente estrada que liga Huesca a Sabiñanigo. Cerca de 237 curvas depois, já na noite de dia 9 de Abril, chegámos. Uma lumachela de paleontólogos não fez duvidar que era ali o local de encontro. Um brinde de recepção ao som tradicional da “Ronda de Boltaña” deu o mote ao início de mais um Encontro de Jovens Investigadores em Paleontologia!!
Vista para Oeste de Boltaña, um dos muitos vales modelados na paisagem.

Dia 10 de Abril, pelas 9h, já a sala de conferências da Comarca de Sobrarbe estava muito composta, reflexo da forte aderência a este congresso (mais de 100 participantes). Após algumas palavras introdutórias dos organizadores do evento e de uma apresentação do Geoparque de Sobrarbe conduzida por duas das responsáveis pela divulgação do mesmo, deu-se início às comunicações científicas pelas 10h45. A viagem começou no Ordovícico com trilobites (Sofia Pereira, link do post "Registo de Trilobites de Mação no XII EJIP") e seguiu oceano fora com os peixes cartilaginosos (Humberto G. Ferrón). O Paleozóico terminou por aqui mas o EJIP mal começara e regressou aos invertebrados com os detalhes internos dos braquiópodes jurássicos do Jorge Colás, um trabalho com bastante potencial para a sistemática do grupo. Continuou-se em grupos de duas valvas, mas desta vez bivalves cretácicos (Pablo Font, com um resumo que conta como co-autor o português Pedro Callapez) e Alba Sánchez-García fechou a primeira série de comunicações com uma apresentação gráfica e cientificamente muito cuidada sobre Tanaidáceos cretácicos preservados em âmbar.

Após a primeira pausa para café e com a sala mais cheia por participantes que entretanto chegaram (já dissemos que é difícil chegar a Boltaña??), chegou a primeira de muitas comunicações dinossáuricas (afinal, e mesmo extintos, continuam a fazer jus ao seu tamanho nas edições do EJIP). Víctor Fondevilla divertiu-nos com a situação dos seus afloramentos, Irene Prieto e Adrián Ruiz-Galván mostraram que o início da investigação só depende da vontade dos alunos e a restante manhã seguiu dedicada aos dinossáurios, ora numa perspetiva mais morfométrica (Antonio Alonso), ora a suscitar “inveja” da possibilidade do uso de microtomografia (Mattia Antonio Baiano), fechando com Carlos de Miguel Chaves numa espécie de CSI montado a um exemplar histórico de Lariosaurus.

Carlos de Miguel Chaves - Perspectiva histórica del ejemplar de Lariosaurus (Sauropterygia) de Estada (Huesca, España)

Da parte da tarde, Diego Castanera entrou “pelos pés” de dinossáurios (resumo que conta com a portuguesa Vanda Santos como co-autora), passou o testemunho a Paul Emile Dieudonné, único francês participante que num castelhano muito perceptível nos brindou com uma comunicação bastante promissora para a filogenia dos ornitópodes. Seguiu-lhe Adrián Páramo, numa quase aula sobre árvores filogenéticas aplicadas a Saurópodes, Guillermo Rey Martinez ainda em saurópodes (tíbia), voltámos aos ornitópodos com o Francisco Javier Verdú e todos se entusiasmaram com a apresentação de Daniel Vidal sobre como obter modelos tridimensionais por fotogrametria  (apostamos que o uso de 3D no próximo EJIP será substancialmente crescente).

Adrián Paramo - Comparativa entre los algoritmos de elaboración de superárboles filogenéticos de Sauropodomorpha (Dinosauria)


Daniel Vidal - Obtención de modelos tridimensionales mediante fotogrametría

Após uma pausa para café protagonizada por umas deliciosas bolachas paleontológicas “Fósiles de Sobrarbe” de produção local, o primeiro dia de conferências terminou com a magistral conduzida por Juan Rofes, dotado de uma capacidade de transmissão que fez os 60 minutos de palestra voarem entre dentes e fémures de micromamíferos.
Jorge Colmenar, um dos organizadores e participante do encontro com um atractivo póster sobre braquiópodes ordovícicos, encerrou o primeiro dia surpreendendo o colega (também Jorge e também braquiopodista) Jorge Colás com um fato de Braquiópode, uma surpresa para assinalar a sua despedida de solteiro que divertiu a plateia.
À noite, um barbecue de convívio preparado pelos organizadores do congresso junto ao Rio Ára acompanhou as conversas sobretudo paleontológicas dos muitos participantes. 

Jorge Colmenar e Jorge Colás em modo braquiópode



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Registo de trilobites de Mação no XII EJIP



Sofia Pereira, doutoranda da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e bolseira da FCT acabou por ser a única representante portuguesa no XII Encontro de Jovens Investigadores em Paleontologia, que decorreu nos passados dias 10 e 11 de Abril (as comunicações), em Boltaña, Espanha. A sua comunicação, intitulada El registro más antiguo de un trilobite Brachymetópido en la región Mediterránea (pertencente à coleção particular de Pierre-Marie Guy e gentilmente cedida para estudo), e em parceria com os seus orientadores Artur Sá e Carlos Marques da Silva, foi ainda a comunicação estratigraficamente mais antiga neste EJIP, o que concedeu à Sofia a honra de ser a primeira a apresentar o seu trabalho. Aproveitando esta vantagem, arriscou iniciar a sua exposição com uma provocação, que acabou por ser bem recebida e interrompida por um forte aplauso: “Colegas, há fósseis abaixo do Ordovícico, prometo-vos! Além disso há um provérbio muito antigo que diz que quanto mais bonito é o paleontólogo, mais antigos são os fósseis que estuda, vão por mim. E desculpem, pessoal do Cenozóico!!!” Com esta comunicação Sofia apresentou o registo mais antigo de uma trilobite brachymetopídeo da região Mediterrânica (e possivelmente a nível mundial), proveniente do Membro Queixopêrra, da Formação Cabeço do Peão, Mação, Portugal (Katiano, Ordovícico): Radnoria aff. simplex


"1 cm desta gente" como a Sofia referiu, põe em causa a ideia de que o Género Radnoria e, por conseguinte, a Família Brachymetopidae provêm da Laurentia, podendo assim ser originários da região Sul-Gondwânica (paleogeografia Ordovícica).



Pequeno vídeo da Trilobite (exemplar de Pierre-Marie Guy):          

video


sábado, 5 de abril de 2014

XII Encontro de Jovens Investigadores em Paleontologia - Registo Fóssil Português


Mais um Encontro de Jovens Investigadores em Paleontologia (EJIP) está à porta! A realizar-se nos dias 9 a 12 de Abril. Este ano o EJIP tem lugar em Boltaña (Huesca, Espanha). Para quem não conhece, este congresso está direccionado para jovens investigadores em paleontologia e na maioria de nacionalidade espanhola e portuguesa, que apresentam os seus primeiros trabalhos científicos em paleontologia. É importante referir ainda, que este congresso já passou por terras lusitânicas no ano de 2009, no conselho de Torres Vedras. Organizado pela Sociedade de História Natural, teve como tema principal os dinossáurios da Bacia Lusitânica. Para os interessados deixamos o link com as comunicações apresentadas durante esse congresso: http://issuu.com/godzillin/docs/paleolusitana_final_n01


Este ano, a representação do registo fóssil português tem um cheirinho a Paleozoico, com duas comunicações sobre o tema. Uma das comunicações é relativa aos quitinozoos do Ordovícico de Valongo e Moncorvo, levado a cabo por investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Susana Parra, Nuno Vaz & Artur Sá. Em seguida é apresentado um estudo sobre o registo de trilobites na região mediterrânica, estudo liderado por Sofia Pereira (Universidade de Lisboa), Artur Sá (UTAD) e Carlos Marques da Silva (Universidade de Lisboa).

Susana Parra, Nuno Vaz & Artur Sá. Primera aparición de quitinozoos en las 
sucesiones ordovícicas de las regiones de Valongo y Moncorvo (zona 
Centroibérica, Norte de Portugal). 

Sofia Pereira, Artur Sá & Carlos Marques da Silva. El registro más antiguo de 
un trilobite brachymetópido en la región Mediterránea

Por fim, é também apresentada uma comunicação sobre níveis excepcionais de bivalves em Segóvia (Espanha), estudo que conta com a contribuição do investigador da Universidade de Coimbra, Pedro Callapez. 

Pablo Font, Pedro M. Callapez & Javier Gil Gil. Primeros datos paleontológicos de un 
nivel excepcional de bivalvos del Cretácico de Sepúlveda (Segovia)

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Estudo sobre dentes de megalosaurídeos com dentes do Jurássico Superior da Região Oeste



Na semana passada um novo trabalho sobre dentes de terópodes megalosaurídeos foi publicado na prestigiada revista Acta Palaeontologica Polonica. Num estudo liderado pelo paleontólogo Christophe Hendrickx, da Universidade Nova de Lisboa, a dentição referida ao grupo Megalosauridea é revista de forma detalhada assim como o valor taxonómico de estes elementos na hora de realizar enquadramentos sistemáticos mais precisos (que no caso deste grupo não é tão fácil). Neste estudo, são incluídos diversos dentes de terópodes provenientes da região Oeste, com destaque para os dentes do recentemente descoberto, Torvosaurus gurneyi, encontrado no concelho de Peniche.

Dente de Torvosaurus da Praia da Areia Branca (Lourinhã)

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Referência:

terça-feira, 1 de abril de 2014

Exposição: "Floresta Tropical do Pejão de há 300 milhões de anos"


Amanhã inaugura-se no Museu de Geologia Fernando Real da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro localizado na Utad (Vila Real) a exposição: "Floresta Tropical do Pejão de há 300 milhões de anos".